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Projeto pioneiro apresenta a terapêutica dos índios Huni Kuin

‘Livro da cura’ reúne textos e fotos de mais de 100 espécies medicinais utilizadas pelo povo indígena

POR BOLÍVAR TORRES em O Globo

Reunidos para o lançamento do livro no Parque Lage, pajés cheiram rapé, uma mistura de tabaco com cinzas de folhas de árvores – Gustavo Miranda

RIO — Espalhado pelo estado do Acre, sul do Amazonas e Peru, o povo indígena Huni Kuin sempre encontrou a cura na natureza, graças à sua estreita ligação com a floresta e seu conhecimento milenar das plantas. Cultivadas em seus jardins medicinais, diferentes espécies tratam enfermidades físicas e espirituais. Soluções naturais que servem tanto para acabar com uma dor de dente quanto para ajudar a se concentrar na pesca e na caça, ou ainda dar um fim à má sorte de homens e cachorros.

Mais de 100 espécies desta terapêutica estão agora apresentadas em textos e imagens no recém-lançado “Una Isi Kayawa — Livro da cura Huni Kuî do Rio Jordão” (Editora Dantes, 260 páginas), organizado pelos pajé Agostinho Manduca Mateus Ika Muru e o etnobotânico Alexandre Quinet, pesquisador do Jardim Botânico do Rio (uma seleção de fotos de Camilla Coutinho feitas para a obras estão na mostra “O sonho que cura”, exibida no Parque Lage). A publicação era um sonho antigo do pajé Manduca, morto em 2011: perpetuar no registro impresso a cultura medicinal do seu povo, antes restrita à transmissão oral. Fruto de um longo processo, que incluiu cinco expedições ao Rio Jordão (Acre), entrevistas com pajés, coletas e catalogação de material botânico, além de residências de tradutores no Rio de Janeiro, o projeto é uma troca inédita de experiências entre o Centro Nacional de Conservação da Flora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico e os Huni Kuin. Incorpora a aplicação da pesquisa técnico-científica do “homem branco” ao conhecimento das culturas tradicionais dos índios. Leia Mais…

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Jardim de Aromas

por Daniel Garcia

Quando pensamos em jardim de aromas não precisamos necessariamente remeter nossos pensamentos aos jardins suspensos da Babilônia (imagem 1), onde centenas de plantas faziam parte de um espetáculo da natureza arquitetado pelo homem, mas também podemos pensar em um singelo conjunto de vasos com algumas espécies vegetais (imagem 2). Normalmente, as diversas cores e formas de plantas as tornam um atrativo paisagístico de qualquer ambiente (imagem 3). Além disso, o agradável aroma exalado por muitas delas é talvez uma das características mais sedutoras criadas pela natureza.

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A Medicina Tibetana no tratamento de transtornos mentais: correlações com a farmacologia ocidental

Por Raquel Luna

Em 1959, Sua Santidade O Dalai Lama (no Tibete é o líder religioso e, até 2011, político também), juntamente com cerca de 80.000 refugiados tibetanos, escaparam para a Índia em exílio político após a ocupação chinesa no Tibete. A partir de então, Dharamsala, uma cidade localizada no norte da Índia, sedia a Administração Central Tibetana. No exílio, os tibetanos buscaram manter as peculiaridades da sua cultura, incluindo sua medicina. Assim, o Men-Tsee-Khang (Tibetan Medical and Astrological Institute) é uma instituição de ensino e prática da medicina tibetana, que foi estabelecido em Dharamsala, na Índia, em 1961 pelo XIV Dalai Lama.

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Artemísia: sagrada, porém… perigosa!

por Julino Soares

ArtemisiaAs plantas medicinais de uso tradicional também são estudadas do ponto de vista toxicológico, como é o caso da artemísia (também conhecida como losna, absinto, erva-santa, gotas-amargas, erva-dos-vermes, erva-dos-velhos, entre outros).

Para os anglo-saxões, a artemísia formava as “nove ervas sagradas” entregues ao mundo pelo deus Woden (ou Odin). Os romanos tinham o costume de introduzir alguns ramos em suas sandálias para combater as dores dos pés logo após intensas caminhadas.

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Nicotiana e xamanismo, cigarro e dependência

por Raquel Luna

A Nicotiana tabacum, conhecida popularmente como tabaco, é uma planta originária das Américas cujo uso, originalmente xamanístico, foi difundido mundialmente.

Quando os colonizadores espanhóis e portugueses chegaram às Américas em 1500, os habitantes indígenas já faziam uso do tabaco desde tempos imemoráveis. As sementes da planta Nicotiana tabacum L. [Solanaceae] foram espalhadas pela Europa, e em algumas décadas o hábito de fumar o tabaco se disseminou e conquistou o mundo. O nome ‘tabaco’ se refere, na realidade, a diversas plantas do gênero Nicotiana, que são nativas do continente americano.

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Curare adverte: se não fizer bem… mal pode fazer!

“Caso de insucesso com a administração da planta Janaúba (Synadenium grantii Hook.f.), popularmente indicada para o tratamento do câncer de próstata.”

por Thiago Cagliumi Alves – em memória do Sr. Paulo Robin Nathagora Cagliumi

Há algum tempo que o Coletivo Curare vem alertando sobre os cuidados a serem tomados com a utilização das plantas medicinais, principalmente no que se refere à dosagem, já que muitas dessas possuem um limiar bastante próximo entre o efeito terapêutico e o tóxico. Por isso tanto insistimos em nossos textos sobre a importância em consultar um profissional especializado antes de iniciar o tratamento com qualquer planta medicinal ou fitoterápico.

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Sob o machado do lavrador imprevidente

Resenha sobre o documentário Plantas medicinais, um saber ameaçado.

por Thiago Braz

“Diariamente árvores preciosas caem sem utilidade sob o machado do lavrador imprevidente”

Botânico Auguste de Saint-Hilaire, 1816

O registro do botânico francês Saint-Hilaire no século XIX antevê a preocupação com a devastação desenfreada da flora e, consequentemente, os sérios desequilíbrios que podem ocorrer nos diferentes ecossistemas do planeta. Neste sentido, o documentário Plantas Medicinais, um saber ameaçado – produzido em 2007 sob coordenação da Professora Maria das Graças Lins Brandão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – traz outro aspecto importante que afeta diretamente o universo das plantas medicinais: a perda do conhecimento popular sobre o uso terapêutico.

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A Planta Anti-Alcoolismo

por Lucas Maia

Conhecida popularmente como árvore de uva-passa japonesa, a planta Hovenia dulcis é nativa da Ásia Oriental, região onde tem um vasto histórico de uso na medicina tradicional, especialmente para curar a ressaca. Estudos recentes comprovam os efeitos anti-álcool da planta e apontam-na como um novo candidato terapêutico para o tratamento do alcoolismo.

A Hovenia dulcis (Rhamnaceae) é nativa da Ásia Oriental e ocorre predominantemente no Japão, Coréia, e China Oriental até o Himalaia. Trata-se de uma árvore de grande porte que cresce até 10 metros, com folhas grandes e ovaladas, flores hermafroditas e pedúnculos carnosos e doces. Estes pedúnculos (foto) contêm um gosto que lembra uma combinação de uva-passa, cravo, canela e açúcar. No Brasil, é conhecida popularmente como uva-do-japão, banana-do-japão, cajueiro-japonês, gomari, chico-magro, pé-de-galinha, entre outros; sendo muito empregada, inclusive, para arborização urbana.

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