Manjericão (Ocimum basilicum L.)

por Daniel Garcia

Manjericão

Quem nunca sentiu o aroma e sabor da planta conhecida popularmente como manjericão ? É muito difícil encontrar alguém que nunca tenha saboreado uma refeição contendo algumas folhas dessa planta medicinal, aromática e condimentar.

O manjericão é originário da Ásia tropical, especificamente da Índia e faz parte há pelo menos 5 mil anos da culinária de muitas culturas ao redor do mundo. Através do comércio de especiarias com a Índia, a Itália passou a usar constantemente esse condimento em sua culinária e medicina tradicional. Com as imigrações italianas para o Brasil, por volta de 1880, o manjericão foi trazido nas embarcações e até hoje é cultivado, principalmente em pequenas hortas domésticas.

O manjericão também é conhecido no Brasil como: alfavaca, basilicão, manjericão-italiano entre outros nomes vernaculares. Ao redor do mundo ele é conhecido como: na Espanha, de albahaca de Castilla, albahaca franscesa, hirba de la bruja, hierba real; na França, de basilic, herbe royale; na Itália, de basilico; na Inglaterra, de basil, Roman basil; na Alemanha, de Basilikum; na China, de luó lè (罗勒); no Japão, de bajiru (バジル).

O uso do manjericão pelo mundo é bastante diversificado e o emprego na culinária é provavelmente o uso mais conhecido. As folhas frescas e/ou secas, ricas em óleos voláteis, são utilizadas para enfeitar e aromatizar comidas; em especial, nas cozinhas do mediterrâneo, onde também se usa na salada caprese, sopas, guisos, carnes, queijos, pizzas, sendo o principal ingrediente do molho pesto (azeite de oliva, alho, manjericão e nozes). É usado também na cozinha do sudeste asiático e faz parte dos ingredientes do curry (Caa, 2008; Katzer, 2008). No nordeste argentino se usa para fazer bolo de chocolate, sopas e infusões (Hilgert, 1999). Na Índia, é uma planta muito utilizada como tempero. Já nas Antilhas, as pessoas empregam-na em rituais a fim de espantar os “maus espíritos”.

O aroma inconfundível exalado de suas folhas e flores é consequência do rompimento de tricomas glandulares (figura 2), que por sua vez libera óleo e outros componentes químicos. Os tricomas se rompem por diversos motivos, mas o dano mecânico (ex., quando passamos a mão, molhamos com água ou até mesmo quando um inseto encosta nas folhas) e a temperatura do ambiente (em dia ensolarado e quente o manjericão exala mais odor) são os mais comuns.

Figura 2: Aspecto glandular dos tricomas de manjericão. Fonte

Figura 2: Aspecto glandular dos tricomas de manjericão. Fonte

O manjericão faz parte do grupo seleto de plantas medicinais, aromáticas e condimentares muito valorizadas no mercado mundial. Além dos usos na culinária, ainda pode ser usada como: ornamental (jardins medicinais e de odores), na indústria farmacêutica (preparação de fórmulas naturais na cura de diversas doenças), na indústria de cosméticos (como bases para sabonetes, perfumes, cremes incluindo os cremes dentais) e, para produção de óleo essencial, sendo esta última característica a mais valorizada (Lachowicz et al. 1997).  Em relação a produção mundial de óleos essenciais, no ano de 2001 girava por volta de 45.000 toneladas, avaliadas em US$ 700 milhões. Estimou-se que a produção brasileira de óleos essenciais correspondeu na mesma época a 13,5% da produção mundial (Rocha, 2002).

Na medicina popular e tradicional de alguns países o manjericão tem sido empregado para reduzir a ansiedade, diabetes, dores de cabeça, dores nos nervos, anti-inflamatória (Gonzáles et al., 2011); controle de mosquitos e parasitas externos (Bora et al., 2011). Garcia et al., 2010, investigando o uso popular de diversas plantas medicinais, aromáticas e condimentares entre migrantes da Mata Atlântica de Diadema (São Paulo-SP) observaram que o manjericão possui ação terapêutica na forma de xarope para o combate da bronquite.

Referências

Caa, Código alimentário nacional. Cap. XIV. Correctivos y coadyuvantes, 2008.

Hilgert NI. Las plantas comestibles en un sector de las Yungas meridionales (Argentina). Anales Jard. Bot. Madrid, vol. 57, p. 117-138, 1999.

Lachowicz KJ et al. Characteristics of plants and plant extracts from five varieties of basil (Ocimum basilicum) grown in Australia. Journal of Agricultural and Food Chemistry, vol. 45, p.  2660- 2665, 1997.

Rocha RP. Avaliação do processo de secagem e produção de óleo essencial de guaco. Universidade Federal de Viçosa, 2002.

González JA et al. Traditional plant-based remedies to control insect vectors of disease in the Arribes del Duero (western Spain): an ethnobotanical study. J Ethnopharmacol. 2011 Nov 18;138(2):595-601.

Bora KS et al. Role of Ocimum basilicum L. in prevention of ischemia and reperfusion-induced cerebral damage, and motor dysfunctions in mice brain. Journal of Ethnopharmacology, vol. 11, p. 1360-1365, 2011.

Garcia D et al. Ethnopharmacological survey among migrants living in the Southeast Atlantic Forest of Diadema, São Paulo, Brazil. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, vol. 6, p. 29-48, 2010.

Daniel Garcia é graduado em Engenharia Agronômica pela Faculdade Cantareira (SP), com iniciação científica em Etnofarmacologia pela UNIFESP e Agronomia pela USP. Atualmente é mestrando em Horticultura pela UNESP.

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Somos um coletivo multidisciplinar de pesquisadores, nas áreas de biologia, naturologia, farmácia e agronomia, com a missão de difundir o conhecimento científico sobre as plantas medicinais, tóxicas e outros produtos naturais.

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