Curare na Raiz da Questão

por Julino Soares

Vivemos em um tempo onde somos bombardeados por informações, muitas delas sobre “dicas de saúde” ou receitas de “chás para curar de tudo”, mas temos que nos perguntar: – Essas informações estão corretas? São seguras? Será que funciona mesmo?

Muitas das informações e propagandas sobre plantas medicinais buscam apenas vender algum produto supostamente milagroso (“É 100% Natural”) e/ou não tem base científica para comprovar os benefícios. Por outro lado, algumas pessoas buscam apenas compartilhar o seu conhecimento e os benefícios que obteve com o uso de determinada planta, mas se esquecem de que cada pessoa pode responder diferentemente a um tratamento. Bom, como se diz por ai “De médico e louco todo mundo tem um pouco”.

Para que possamos fazer uma análise crítica das informações é importante conhecermos o uso técnico das palavras, entre muitas outras informações. De qualquer forma, o mais seguro sempre é consultar um profissional da saúde, mas vamos conhecer alguns termos de uso frequente:

  • Planta Medicinal: “Espécie vegetal cultivada ou não, utilizada com propósitos terapêuticos. Chama-se planta fresca aquela coletada no momento de uso e planta seca a que foi precedida de secagem, equivalendo à droga vegetal”².
  • Droga Vegetal: “Planta medicinal ou suas partes, que contenham as substâncias, ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta, estabilização e/ou secagem, podendo ser íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada”².

Então, a planta medicinal é aquela utilizada em estado natural, e geralmente possui grande tradição na medicina popular. Quando esta planta medicinal passa por algum processo (secagem, trituração, pulverização), para melhor uso e conservação, é chamada de droga vegetal. É interessante saber que “o termo droga teve origem na palavra droog (holandês antigo) que significa folha seca”³.

Essas informações são muito importantes, pois as plantas medicinais tem um prazo de validade mais curto que as drogas vegetais, mas ambas podem apresentar problemas de contaminação microbiológica, quantidade de substâncias medicinais e identificação botânica.

No caso dos fitoterápicos, esses problemas são melhor controlados, pois existe um controle sanitário (ver textos complementares 1 e 2); mas qual é a diferença entre eles? “Quando a planta medicinal é industrializada para se obter um medicamento, tem-se como resultado o fitoterápico. O processo de industrialização evita contaminações por microorganismos, agrotóxicos e substâncias estranhas, além de padronizar a quantidade e a forma certa que deve ser usada, permitindo uma maior segurança de uso”¹.

Esperamos ter ajudado um pouco na compreensão desses termos, mas principalmente em chamar a atenção das pessoas de que devemos ter um olhar mais crítico sobre todas as informações e propagandas que chegam até nós.

Que tal nos enviar suas dúvidas e sugestões para os próximos textos?

Referências

  1. ANVISA. Disponível em: goo.gl/MYv9S. Acesso em: 11 de setembro de 2012.
  2. BRASIL. Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Brasília : Ministério da Saúde, 2009. 136 p.
  3. CEBRID. Centro Brasileiro de informações sobre Drogas Psicotrópicas. Livreto informativo sobre drogas psicotrópicas. SENAD, São Paulo, 6ª edição, 2010.

Julino Soares é biólogo, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo.

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About Coletivo Curare

Somos um coletivo multidisciplinar de pesquisadores, nas áreas de biologia, naturologia, farmácia e agronomia, com a missão de difundir o conhecimento científico sobre as plantas medicinais, tóxicas e outros produtos naturais.

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